domingo, junho 10, 2012

O 'bafo' do giro oceânico...

Antes de mais, a explicação do que são esses cinco círculos da foto - quem está dentro do tema, sabe o que significa e, se calhar, vai encontrar neste texto muitas imprecisões.
Ora então, segundo o 'Projecto Descobrindo o Mar', “recentemente foi encontrada uma área no oceano Pacífico, onde se concentra grande quantidade de materiais plásticos provenientes do despejo desses resíduos na zona costeira. O famoso lixão do Pacífico. A área deste ‘lixão’ equivale às áreas dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Goiás juntos. Estima-se que existam cerca de 100 milhões de toneladas de plástico nessa área (27% sacolas plásticas) um milhão de partículas de plástico por quilômetro quadrado. A concentração dessa enorme quantidade de resíduos é provocada pela circulação de correntes marinhas, que formam um giro de sentido horário no hemisfério norte desse oceano, acumulando o lixo no interior do giro.”
Tirando o português abrasileirado (já devem ter percebido que eu escrevo como aprendi na escola, não há cá acordos ortográficos) e o facto de o problema não ser tão recente assim (há mais de 40 anos que se estuda o fenómeno), esta definição diz tudo do problema que todos nós enfrentamos, a poluição dos mares. Curiosamente, ou nem tanto, este é um problema que está mais bem explorado e estudado pelos norte-americanos, pois até têm um Programa de Lixo Marinho incluído na National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), entidade do governo federal ligada às questões climáticas.
Segundo a NOAA, este é um programa que visa, sobretudo monitorizar o ‘monte’ de lixo oceânico, embora tentem desmistificar o conceito, lembrando que este não significa que podemos observar claramente as supostas ‘ilhas’ de lixo a navegar por aí. Referem que são mais pequenos, milhares, dezenas de milhar de pequenos objectos unidos e a navegar à volta destes tais giros oceânicos.
O único defeito dos norte-americanos é que olham para o seu próprio umbigo, muitas vezes esquecendo-se que o mundo não começa na costa do Pacífico Norte e acaba na costa do Atlântico Norte. Não me parece que lhes faça muita mossa que fruto do despejo durante décadas de plástico nos dois oceanos, tenha contribuído para que, hoje, este problema seja global… continuam a estudá-lo, continuam a monitorizar, continuam a recolher os detritos, mas, muito me engano, sobretudo na sua zona de influência.
Cabo Verde, segundo o mapa-mundo da foto, leva de ‘raspão’ com o giro do Atlântico Norte. Sabendo-se que muitos desses detritos ficam ‘presos’ nesse vórtice de correntes marítimas, há muita porcaria que se escapa. Significa isto que, se num dia destes encontrar um monte de pequenos detritos de plástico deteriorado numa das praias ainda impolutas de Cabo Verde, pode crer que há grande probabilidade de ter sido daí a origem.
Estamos na rota das grandes trocas comerciais, dos grandes navios-cargueiros e todos sabemos que as águas internacionais são o local ideal para os menos conscientes deitarem a porcaria borda fora.
Mas os cabo-verdianos também não estão isentos de culpa. Basta lembrar as toneladas de lixo deitadas às ribeiras que, com uma chuvada daquelas, leva o caminho do mar. E a grande metrópole desorganizada que se tornou a cidade da Praia depois da Independência em 1975, também resultou numa capital que, pura e simplesmente, precisaria de um programa moderno de país desenvolvido no tratamento do lixo. A última vez que vi e senti o pulsar da cidade-capital (Junho de 2009), foi de corar de vergonha nessa matéria.
Voltando ao tema do lixo oceânico, oxalá os dois giros que nos ‘cercam’ continuem assim a ‘roçar’ estas ilhas. Embora saiba que esse pode não ser o nosso maior problema, será, sem dúvida, um grande problema. O nosso futuro, a única fonte do nosso futuro próximo, o turismo, merece uma atenção.
Uma última citação para se ficar mais ciente do problema, através do UOL Notícias (Maio/2012): O enorme redemoinho de lixo plástico flutuante no norte do Pacífico aumentou cem vezes nos últimos 40 anos. Cientistas alertam que a sopa mortal de microplástico - partículas menores que cinco milímetros - ameaçam alterar o ecossistema marinho. No período entre 1972 e 1987, nenhum microplástico foi encontrado em amostras coletadas para testes, destacou um artigo publicado no periódico Biology Letters, da Royal Society. Mas actualmente, os cientistas estimam que a massa de lixo conhecida como Giro Subtropical do Norte do Pacífico (NPSG, na sigla em inglês) ou Grande Mancha de Lixo do Pacífico, ocupe uma área correspondente, grosso modo, ao território do Texas (cerca de 700.000 km²)”, que é nada mais nada menos que o segundo maior estado dos EUA, depois do Alasca.

Francisco Cardoso

1 comments:

Vania Andrade disse...

Muito bom esse texto, mobilizar as pessoas para a preservação dos mares/oceanos é um grande passo para a Cidadania,e uma forma de forçar as pessoas a pensar sobre os impactos da acção humano sobre o meio ambiente. muito bom mesmo, gostei.

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